terça-feira, 27 de maio de 2008

A crônica e a jornalista.

Por Adriana Cirqueira
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Divertidas, inteligentes e quase esquecidas. É verdade que a primeira podemos encontrar em jornais antigos, arquivos e bibliotecas e a segunda também gostaria de estar lá (os jornais não precisam ser antigos), mas estava difícil escapar do supermercado ou do parquinho infantil (ou “play”, como dizem as babás mais moderninhas). Seus encontros eram cada vez mais esparsos. E a crônica esperou.
A jornalista se formou. Foi oradora da turma e nunca fez uma prova final. Mas também nunca teve uma matéria publicada (release não vale). E o tempo passou. A tal idéia fajuta de não querer que seus escritos fossem papel de embrulho no dia seguinte embotaram seu cérebro. A Vaidade, essa enganadora, destruidora de sonhos. Coitada da jornalista. Mas num dia feio e nublado (quem se importa?) chegou a Oportunidade. E agora? Como cortejar a Oportunidade depois de flertar tanto tempo com a Vaidade?
A jornalista procurou à crônica. E ela a recebeu feliz, mas tímida. A velha amiga desde a infância, quando a jornalista só era jornalista nos sonhos do avô. A crônica que sempre esperou por ela. Com quem ela sempre contou, mesmo quando, sem jeito a maltratava e feria. Mas a crônica sabia que o desejo era honesto e o prazer verdadeiro. O amor existia e, juntas, elas seriam felizes e o tempo, outro amigo infalível, aperfeiçoaria a relação.
A amiga crônica veio ajudar a jornalista a despachar a Vaidade sem ferir seus sentimentos (a vaidade é sensível e vingativa). A jornalista não era assim tão boa: ela foi uma ótima aluna, mas jornalista mesmo ainda nem tinha sido. A vaidade certamente encontraria coisa melhor. Já para a Oportunidade, para ela não haveria melhor partido! Uma jornalista novinha, sem vícios, quase amorfa. Prontinha para se adaptar a qualquer (bom) trabalho (ai meus Deus, olha aí a Vaidade tentando reconciliação...).
E lá se foi a Vaidade, sem prometer nada. Assim como a Oportunidade que “ficou só para ver no que dava”. Mas a jornalista e a crônica continuam juntas, trabalhando enquanto esperam “o que vai dar”.

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