segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

DEIXE A RAIVA SECAR

Hoje eu consegui um tempinho para dar uma olhadinha no meu "face" e apesar das más notícias dos últimos dias, li um post muito legal que a tia Judite compartilhou. Eu já conhecia, mas é sempre um ótimo lembrete. 



Deixe a raiva secar

Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas. No dia seguinte, Júlia, sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar.
Mariana não podia, porque ia sair com sua mãe naquela manhã. Júlia, então, pediu à coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá, para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: Está vendo, mamãe, o que a Julia fez comigo?
Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão. Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mamãe, com muito carinho, ponderou:
Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar a sua casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra do que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha! Com a raiva e a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois, fica bem mais fácil resolver tudo.
 Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu ir para a sala ver televisão. Logo depois, alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:
Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Ai ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa.
Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou. E, tomando a sua coleguinha pela mão, levou-a para o quarto para contar historia do vestido novo que havia sujado de barro.

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Não posso dar o crédito. Procurei mas não encontrei o autor. A tia Ju encontrou  em https://www.facebook.com/ticamontana

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Lindeza de inutensílio

Gosto que só do Paulo Leminski.
E quanto mais leio, mais gosto.

Uma vez ele disse que o poeta não se definia pelos conteúdos que veiculava, pois quem veicula conteúdos são jornalistas (!!!!). O poeta se definiria pela capacidade de criar beleza com a linguagem. Eu sou uma jornalista que adoraria ser poeta e criar essa beleza. E sempre acreditei que essa beleza fosse de uma tremendamente importante. Depois que li o texto dele sobre a inutilidade (?) da poesia parei pra analisar melhor essa estória...

Quando Paulo Leminski diz que a poesia é um inutensílio, ele dá a ela um valor que não pode ser mensurado. Para a sociedade capitalista o que não é útil não tem valor algum, mas, na perspectiva do poeta essa falta de utilidade e valor decorrem de considerar a poesia como algo além da utilidade e do valor como definidos pela sociedade do consumo. A poesia é uma espécie de releitura do mundo e não precisa ter objetivo que não seja apenas existir, bastando-se a si mesma. É uma necessidade de expressão que não precisa de justificativa, pois sua finalidade é ser o que é. São tantas as coisas inúteis que nos fazem bem e, se não existissem, tornariam nossa vida mais pobre e inexpressiva: coisas que estão além da utilidade num mundo de consumismo, de compra e descarte rápidos.
Leminski comenta que, por algum tempo e em alguma época da vida, todos somos poetas, uns escreveram as suas próprias poesias e outros copiaram alguns versos em diários ou cartas de amor, mas alguns poucos escrevem para viver e vivem para escrever poesia. Na maioria das vezes as necessidades cotidianas tendem a afastar alguns poetas de seus versos e apenas com heroísmo e santidade, distanciando-se deste mundo e de suas demandas materiais – mundo onde tudo é valorado, pesado, medido e etiquetado – o poeta realiza a sua recriação do mundo, transformando com seu olhar as realidades, apresentando-as de acordo com sua perspectiva, levando o real para além do aqui e do agora.
Apesar da inutilidade da poesia, a vida voltada para o fazer poético precisa ter uma compensação financeira para que o poeta sobreviva e continue a transformar a realidade, oferecendo outros modos de enxergar o mundo através de sua arte. Se o poeta precisa se apartar do mundo para enxergá-lo, recriá-lo e devolvê-lo de maneira renovada e renascida - razão que o impulsiona a continuar vivendo sua arte a despeito das “coisas do mundo” - ele também se aparta das compensações financeiras que a troca de ocupação poderia oferecer-lhe. Assim, os poetas certamente não se tornam ricos, mas enriquecem o viver de seus leitores e fazem do mundo um lugar de abundante, valiosa, heroica e santificada inutilidade.

Agora eu sou uma jornalista que adoraria escrever inúteis!

"Inutensílio" - Paulo Leminski

Tempo


Primeira sexta-feira do ano. Amo as sextas-feiras. Não porque ficarei dois dias longe do trabalho: gosto delas porque ficarei mais tempo fazendo outras coisas que gosto e durante a semana não consigo fazer. Ter café na cama preparado pelo maridinho preocupado porque "você amamenta a noite inteira e não se alimenta direito" ou só para fazer um agrado. Ver meus filhos acordando, alimentá-los, dar banho neles, brincar com eles. Ler, escrever e fotografar por puro prazer, sem nenhum compromisso. Sem prazos ou metas. O tempo é meu e faço com ele o que quiser.

Na virada do ano recebi, de uma amiga, uma mensagem contendo um poema de Drummond, que compartilhei com alguns amigos. É realmente uma lista de desejos de ano novo, desejos de renovação. Achamos sempre bons remédios para a alma nas palavras de Drummond. Com ele, vale mesmo o conselho: Fale sempre com o farmacêutico.


Cortar o Tempo
Carlos Drummond de Andrade

"Quem teve a ideia de cortar o tempo em fatias, a que se deu o nome de ano,
foi um indivíduo genial.
Industrializou a esperança, fazendo-a funcionar no limite da exaustão.
Doze meses dão para qualquer ser humano se cansar e entregar os pontos.
Aí entra o milagre da renovação e tudo começa outra vez com outro número e outra vontade de acreditar que daqui para adiante vai ser diferente.
Para você, desejo o sonho realizado.
O amor esperado.
A esperança renovada.
Para você, desejo todas as cores desta vida.
Todas as alegrias que puder sorrir, todas as músicas que puder emocionar.
Para você neste novo ano, desejo que os amigos sejam mais cúmplices, que sua família esteja mais unida, que sua vida seja mais bem vivida.
Gostaria de lhe desejar tantas coisas.
Mas nada seria suficiente para repassar o que realmente desejo a você.
Então, desejo apenas que você tenha muitos desejos.

Desejos grandes e que eles possam te mover a cada minuto, rumo à sua felicidade!"






FELIZ ANO NOVO!!!!

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