quinta-feira, 12 de outubro de 2017

Aprendendo a ensinar

Neste últimos meses comecei a atuar em sala de aula como futura professora de língua portuguesa. Primeiro foi o estágio de observação para a disciplina Estágio Supervisionado I e a regência do Estágio II - ambos no 3º ano de ensino médio, e agora terminei o Estágio III no 9º ano do ensino fundamental.

Antes dessas experiências eu já havia ensinado no Pronatec e no Mulheres Mil, mas são atuações completamente diferentes.

Agora, na disciplina de Mídias e Tecnologia no Ensino, fomos orientados a produzir algo ligado à educação em um blog e, como eu já tinha esse - há muito tempo precisando de atualizações, resolvi aproveitá-lo.

Como primeira postagem direcionada à atividade, gostaria de dividir um texto trabalhado nas turmas de 3º ano durante o Estágio II. É um artigo de opinião, uma crítica especializada. Mas não qualquer crítica: é a crítica de Monteiro Lobato sobre a exposição de Anita Malfatti.

Espero que gostem. Foi discussão maravilhosa sobre arte, cultura, preconceito, machismo e muito mais.

#literaura #pré-modernsmo #monteirolobato #letras #licenciatura #ifal

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Pré-modernismo - Leitura complementar


Famoso episódio:Anita Malfatti x Monteiro Lobato.

Como se sabe, em 20.12.1917, Monteiro Lobato publicou no Jornal O Estado de São Paulo o texto “A propósito da exposição de Malfatti”, sobre a exposição da artista com 53 trabalhos dela e outros de três artistas, seus colegas. Nesse texto, o autor faz consideráveis críticas às pinturas expostas e se posiciona contrário as inovações plásticas apresentadas. Dois anos depois, quando o texto é republicado, os modernistas Menotti Del Pichia e Mário de Andrade escrevem em defesa de Malfatti e afirmam que as críticas de Lobato teriam causado tal impacto na artista que esta passaria a apresentar um retrocesso no seu percurso poético-visual expressionista.

A crítica de Lobato foi republicada em 1919 no livro Idéias de Jeca Tatu, de Monteiro Lobato, com o título Paranóia ou Mistificação?




Paranóia ou Mistificação?”


Este artigo foi publicado no jornal O Estado de S. Paulo em 20 de dezembro de 1917, com o título “A Propósito da Exposição Malfatti”, provocando a polêmica que afastaria os modernistas de Monteiro Lobato.

Há duas espécies de artistas. Uma composta dos que vêem normalmente as coisas e em conseqüência disso fazem arte pura, guardando os eternos rirmos da vida, e adotados para a concretização das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres. Quem trilha por esta senda, se tem gênio, é Praxíteles na Grécia, é Rafael na Itália, é Rembrandt na Holanda, é Rubens na Flandres, é Reynolds na Inglaterra, é Leubach na Alemanha, é Iorn na Suécia, é Rodin na França, é Zuloaga na Espanha. Se tem apenas talento vai engrossar a plêiade de satélites que gravitam em torno daqueles sóis imorredouros. A outra espécie é formada pelos que vêem anormalmente a natureza, e interpretam-na à luz de teorias efêmeras, sob a sugestão estrábica de escolas rebeldes, surgidas cá e lá como furúnculos da cultura excessiva. São produtos de cansaço e do sadismo de todos os períodos de decadência: são frutos de fins de estação, bichados ao nascedouro. Estrelas cadentes, brilham um instante, as mais das vezes com a luz de escândalo, e somem-se logo nas trevas do esquecimento.

Embora eles se dêem como novos precursores duma arte a ir, nada é mais velho de que a arte anormal ou teratológica: nasceu com a paranóia e com a mistificação. De há muitos já que a estudam os psiquiatras em seus tratados, documentando-se nos inúmeros desenhos que ornam as paredes internas dos manicômios. A única diferença reside em que nos manicômios esta arte é sincera, produto ilógico de cérebros transtornados pelas mais estranhas psicoses; e fora deles, nas exposições públicas, zabumbadas pela imprensa e absorvidas por americanos malucos, não há sinceridade nenhuma, nem nenhuma lógica, sendo mistificação pura. Todas as artes são regidas por princípios imutáveis, leis fundamentais que não dependem do tempo nem da latitude. As medidas de proporção e equilíbrio, na forma ou na cor, decorrem de que chamamos sentir. Quando as sensações do mundo externo transformam-se em impressões cerebrais, nós "sentimos"; para que sintamos de maneiras diversas, cúbicas ou futuristas, é forçoso ou que a harmonia do universo sofra completa alteração, ou que o nosso cérebro esteja em "pane" por virtude de alguma grave lesão. Enquanto a percepção sensorial se fizer anormalmente no homem, através da porta comum dos cinco sentidos, um artista diante de um gato não poderá "sentir" senão um gato, e é falsa a "interpretação" que o bichano fizer um "totó", um escaravelho ou um amontoado de cubos transparentes. Estas considerações são provocadas pela exposição da Sra. Malfatti, onde se notam acentuadíssimas tendências para uma atitude estética forçada no sentido das extravagâncias de Picasso e companhia. Essa artista possui talento vigoroso, fora do comum. Poucas vezes, através de uma obra torcida para a má direção, se notam tantas e tão preciosas qualidades latentes. Percebe-se de qualquer daqueles quadrinhos como a sua autora é independente, como é original, como é inventiva, em que alto grau possui um semi-número de qualidades inatas e adquiridas das mais fecundas para construir uma sólida individualidade artística. Entretanto, seduzida pelas teorias do que ela chama arte moderna, penetrou nos domínios dum impressionismo discutibilíssimo, e põe todo o seu talento a serviço duma nova espécie de caricatura. Sejam sinceros: futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de ouros tantos ramos da arte caricatural. É extensão da caricatura a regiões onde não havia até agora penetrado. Caricatura da cor, caricatura da forma - caricatura que não visa, como a primitiva, ressaltar uma idéia cômica, mas sim desnortear, aparvalhar o espectador. A fisionomia de que sai de uma destas exposições é das mais sugestivas. Nenhuma impressão de prazer, ou de beleza denuncia as caras; em todas, porém, se lê o desapontamento de quem está incerto, duvidoso de si próprio e dos outros, incapaz de racionar, e muito desconfiado de que o mistificam habilmente. Outros, certos críticos sobretudo, aproveitam a vaza para épater les bourgeois. Teorizam aquilo com grande dispêndio de palavrório técnico, descobrem nas telas intenções e subintenções inacessíveis ao vulgo, justificam-nas com a independência de interpretação do artista e concluem que o público é uma cavalgadura e eles, os entendidos, um pugilo genial de iniciados da Estética Oculta. No fundo, riem-se uns dos outros, o artista do crítico, o crítico do pintor e o público de ambos. Arte moderna, eis o estudo, a suprema justificação. Na poesia também surgem, às vezes, furúnculos desta ordem, provenientes da cegueira sempre a mesma: arte moderna. Como se não fossem moderníssimo esse Rodin que acaba de falecer deixando após si uma esteira luminosa de mármores divinos; esse André Zorn, maravilhoso "virtuose" do desenho e da pintura; esse Brangwyn, gênio rembrandtesco da babilônia industrial que é Londres; esse Paul Chabas, mimoso poeta das manhãs, das águas mansas, e dos corpos femininos em botão. Como se não fosse moderna, moderníssima, toda a legião atual de incomparáveis artistas do pincel, da pena, da água-forte, da dry point que fazem da nossa época uma das mais fecundas em obras-prima de quantas deixaram marcos de luz na história da humanidade. Na exposição Malfatti figura ainda como justificativa da sua escola o trabalho de um mestre americano, o cubista Bolynson. É um carvão representando (sabe-se disso porque uma nota explicativa o diz) uma figura em movimento. Está ali entre os trabalhos da Sra. Malfatti em atitude de quem diz: eu sou o ideal, sou a obra-prima, julgue o público do resto tomando-me a mim como ponto de referência. Tenhamos coragem de não ser pedante: aqueles gatafunhos não são uma figura em movimento; foram, isto sim, um pedaço de carvão em movimento. O Sr. Bolynson tomou-o entre os dedos das mãos ou dos pés, fechou os olhos, e fê-lo passar na tela às pontas, da direita para a esquerda, de alto a baixo. E se não o fez assim, se perdeu uma hora da sua vida puxando riscos de um lado para o outro, revelou-se tolo e perdeu tempo, visto como o resultado foi absolutamente o mesmo. Já em Paris se fez uma curiosa experiência: ataram uma brocha na cauda de um burro e puseram-no traseiro voltado numa tela. Com os movimentos da cauda do animal a broxa ia borrando a tela. A coisa fantasmagórica resultante foi exposta como um supremo arrojo da escola cubista, e proclama pelos mistificadores como verdadeira obra-prima que só um ou outro raríssimo espírito de eleição poderia compreender. Resultado: o público afluiu, embasbacou, os iniciados rejubilaram e já havia pretendentes à tela quando o truque foi desmascarado. A pintura da Sra. Malfatti não é cubista, de modo que estas palavras não se lhe endereçam em linha reta; mas como agregou a sua exposição uma cubice, leva-nos a crer que tende para ela como para um ideal supremo. Que nos perdoe a talentosa artista, mas deixamos cá um dilema: ou é um gênio o Sr. Bolynson e ficam riscados desta classificação, como insignes cavalgaduras, a coorte inteira dos mestres imortais, de Leonardo a Steves, de Velásques a Sorolla, de Rembrandt a Whistler, ou... vice-versa. Porque é de todo impossível dar o nome da obra de arte a duas coisas diametralmente opostas como, por exemplo, a Manhã de Setembro, de Chabas, e o carvão cubista do Sr. Bolynson. Não fosse a profunda simpatia que nos inspira o formoso talento da Sra. Malfatti, e não viríamos aqui com esta série de considerações desagradáveis.

Há de ter essa artista ouvido numerosos elogios à sua nova atitude estética. Há de irritar-lhe os ouvidos, como descortês impertinência, esta voz sincera que vem quebrar a harmonia de um coro de lisonjas. Entretanto, se refletir um bocado, verá que a lisonja mata e a sinceridade salva. O verdadeiro amigo de um artista não é aquele que o entontece de louvores, e sim o que lhe dá uma opinião sincera, embora dura, e lhe traduz chãmente, sem reservas, o que todos pensam dele por detrás. Os homens têm o vezo de não tomar a sério as mulheres. Essa é a razão de lhes derem sempre amabilidades quando elas pedem opinião. Tal cavalheirismo é falso, e sobre falso, nocivo. Quantos talentos de primeira água se não transviaram arrastados por maus caminhos pelo elogio incondicional e mentiroso? E tivéssemos na Sra. Malfatti apenas uma "moça que pinta", como há centenas por aí, sem denunciar centelhas de talento, calar-nos-íamos, ou talvez lhe déssemos meia dúzia desses adjetivos "bombons" que a crítica açucarada tem sempre à mão em se tratando de moças. Julgamo-la, porém, merecedora da alta homenagem que é tomar a sério o seu talento dando a respeito da sua arte uma opinião sinceríssima, e valiosa pelo fato de ser o reflexo da opinião do público sensato, dos críticos, dos amadores, dos artistas seus colegas e... dos seus apologistas. Dos seus apologistas sim, porque também eles pensam deste modo... por trás.


Disponível em http://www.mac.usp.br/mac/templates/projetos/educativo/paranoia.html, acessado em 18 de maio de 2017.

sábado, 14 de novembro de 2015

O triunfo da Morte



                           O triunfo da Morte - Pintado por Peter Brueghel, o velho



Bombardeados,  desnutridos ou afogados
Decapitados, enforcados ou apedrejados
De norte a sul do Equador
Morrem


Bombas, mísseis e fuzis
Negócios, politica e religião
Ganância, indiferença e descaso
Matam


Tristeza, descrença e revolta
Vingança, rancor e ódio
Embotam a visão
Poluem a mente


E pela paz
Matam
Morrem




Ouro Preto, MG
14 de novembro de 2015

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Caminhando




Adriana Cirqueira Freire
Foto tirada com celular na tarde do dia 21/03/15
dia do concurso da Ufop
Ruas de pedras
Musgo e flores
Muros de pedra
Trepadeiras e flores


Riachos, pontes e cruzes
Árvores e flores


Portas e janelas
Sacadas e varandas
Jardins e escadarias
Vasos e flores


Pedra, ferro e madeira
Vento e flores


Igreja de pedra
Madeira e ouro
Incenso e sino
Fé e flores



Ouro Preto, MG
Sexta-feira, 13 de novembro de 2015

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

Oiê!



Faz de conta que não te deixei de lado por tanto tempo. Olha o que eu trouxe...
Sou assim desligada, você sabe.
E depois teve o Heitor e tudo o mais.
Vou voltando, aos pouquinhos, ok?
Daqui a pouco estaremos íntimos novamente.

;-)

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Minha fábula



A galinha e o pavão


Uma bonita amizade no galinheiro nasceu
Entre o pavão e a galinha, com carinho cresceu
O tempo foi se passando, e a galinha admirada
Pois a mais bela ave dali era sua namorada


O pavão dizia amar sua galinha querida
Mas mesmo assim desfilava e a todas a cauda mostrava
E a pequena galinha de penas brancas e crista caída
Na beleza de seu par completava sua vida


Mas no fundo ela sofria com aquela exibição
Mas sempre quisera ser a senhora pavão
E assim passou seus dias
Maltratando o coração.


MORAL: Esteja preparado para a realização de seus desejos





segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

DEIXE A RAIVA SECAR

Hoje eu consegui um tempinho para dar uma olhadinha no meu "face" e apesar das más notícias dos últimos dias, li um post muito legal que a tia Judite compartilhou. Eu já conhecia, mas é sempre um ótimo lembrete. 



Deixe a raiva secar

Mariana ficou toda feliz porque ganhou de presente um joguinho de chá, todo azulzinho, com bolinhas amarelas. No dia seguinte, Júlia, sua amiguinha, veio bem cedo convidá-la para brincar.
Mariana não podia, porque ia sair com sua mãe naquela manhã. Júlia, então, pediu à coleguinha que lhe emprestasse o seu conjuntinho de chá, para que ela pudesse brincar sozinha na garagem do prédio. Mariana não queria emprestar, mas, com a insistência da amiga, resolveu ceder, fazendo questão de demonstrar todo o seu ciúme por aquele brinquedo tão especial. Ao regressar do passeio, Mariana ficou chocada ao ver o seu conjuntinho de chá jogado no chão. Faltavam algumas xícaras e a bandejinha estava toda quebrada. Chorando e muito nervosa, Mariana desabafou: Está vendo, mamãe, o que a Julia fez comigo?
Emprestei o meu brinquedo, ela estragou tudo e ainda deixou jogado no chão. Totalmente descontrolada, Mariana queria, porque queria, ir ao apartamento de Júlia pedir explicações. Mas a mamãe, com muito carinho, ponderou:
Filhinha, lembra daquele dia quando você saiu com seu vestido novo todo branquinho e um carro, passando, jogou lama em sua roupa? Ao chegar a sua casa você queria lavar imediatamente aquela sujeira, mas a vovó não deixou. Você lembra do que a vovó falou? Ela falou que era para deixar o barro secar primeiro. Depois ficava mais fácil limpar. Pois é, minha filha! Com a raiva e a mesma coisa. Deixa a raiva secar primeiro. Depois, fica bem mais fácil resolver tudo.
 Mariana não entendeu muito bem, mas resolveu ir para a sala ver televisão. Logo depois, alguém tocou a campainha. Era Júlia, toda sem graça, com um embrulho na mão. Sem que houvesse tempo para qualquer pergunta, ela foi falando:
Mariana, sabe aquele menino mau da outra rua que fica correndo atrás da gente? Ele veio querendo brincar comigo e eu não deixei. Ai ele ficou bravo e estragou o brinquedo que você havia me emprestado. Quando eu contei para a mamãe ela ficou preocupada e foi correndo comprar outro brinquedo igualzinho para você. Espero que você não fique com raiva de mim. Não foi minha culpa.
Não tem problema, disse Mariana, minha raiva já secou. E, tomando a sua coleguinha pela mão, levou-a para o quarto para contar historia do vestido novo que havia sujado de barro.

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Não posso dar o crédito. Procurei mas não encontrei o autor. A tia Ju encontrou  em https://www.facebook.com/ticamontana

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