quarta-feira, 16 de março de 2011

Aprendendo a ensinar


Ontem fui, andando, ao Shopping Maceió com a Alice. Conversamos durante todo o trajeto. Ela puxou a mim. Tem uma ótima conversa (!!!). Brincadeiras a parte, minha pequena aprende numa velocidade impressionante. Tem um vocabulário de fazer inveja a muito marmanjo...

Dei o mau exemplo de atravessar longe do semáforo num local sem faixa de segurança. Estava escuro do nosso lado da avenida e eu não quis facilitar. Ela me perguntou como era que eu sabia que o semáforo estava vermelho se "estavámos" olhando ele por trás...

Amo o jeito de ela usar os verbos. Faz a flexão correta e usa os pronomes direitinho. De vez em quando ela começa a falar, pára, pensa e muda a frase. Ela faz isso quando não tem certeza de estar usando a palavra certa. Muitas vezes faz uma frase maior pra dizer a mesma coisa. Tudo pra não correr o risco de errar.

Dá até medo.

Acho lindo porque sou a mãe babona, mas é perigoso. Se com 4 anos já tem medo de errar, imagine quando crescer. Conversei com ela e expliquei que podia falar como quisesse e, se estivesse errado, eu ensinaria o correto, mas não tem adiantado. Ela não gosta de ser corrigida. Quando não consegue escrever a letra cursiva - hoje ela me perguntou se eu sabia o que era letra cursiva - fica brava e quer chorar, mas não aceita que eu segure sua mão. Quando fica feio e eu apago e mando refazer, ela me fuzila com os olhos e diz para eu deixar ela escrever do jeito dela.

Como é que uma criança aprende? Com a experiência, certo? Ela observa e repete. As coisas boas e as más também, infelizmente. Me reconheço nessa atitude dela diante do desconhecido. A insegurança que nos toma quando começamos algo novo. Quem se arrisca, tanto pode acertar quanto errar, mas sem a tentativa não se tem a oportunidade do êxito.

Vamos trabalhar isso juntas. Temos muito a que aprender nesse campo. Aprendo com ela a cada dia.

O Henrique a está ensinando a jogar xadrez. Ela sabe o nome das peças e está aprendendo os movimentos de cada uma. Mas não tem paciência. Quando se cansa, ela pede pro pai pra jogar do jeito dela. Então inventa regras e ganha o jogo. Isso é maravilhoso. Bem que eu queria poder fazer isso de vez em quando...

Ela está crescendo e as experiências que proporcionarmos a ela serão fundamentais para que desenvolva seus valores, sua postura diante das situações, seu senso crítico e assim modele sua personalidade - que já é danada de forte. Eu ensino. Ela, no processo de aprendizagem, me ensina também.

Então estou tentado ajudá-la a aprender de forma leve e divertida. Partilhando suas descobertas, estimulando seu pensamento criativo, transformando nosso tempo juntas em oportunidades de aprendizado conjunto e compartilhado.

Sem dúvida essa é uma experiência ímpar, E nosso relacionamento se fortalece a cada dia. Nossas discussões - sim, inúmeras discussões, com ursinho jogado no chão e pisadas duras na ida e cadeirinha do pensamento e olhos nos olhos na volta - são cada vez mais comuns, mas sempre ganho um carinho no final - que retribuo com o coração cortado de pena.

Não, você não pode imaginar. É impossível. Você tem que viver. Passar pela experiência maravilhosa de educar uma criança. A sua criança. Quando ela vier, aproveite.

2 comentários:

vick disse...

;-)

Anônimo disse...

Educar uma criança não é nada fácil. Mas se fizer direito, verá como é gratificante. Vale mesmo investir nisso.

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